Galegos Sta Maria|

Já estão na China a tratar disso:

Jovens empreendedores de Barcelos e Esposende criaram a Smartex, uma startup que já recebeu 250 mil euros de um investidor dos Estados Unidos. Prometem poupar milhões de euros à indústria: “Podemos reduzir os defeitos na produção para 0%” .

Horas a olhar para malhas à procura de defeitos não é das melhores tarefas do Mundo. Sobretudo no Verão e quando os amigos estão na praia. Gilberto Loureiro tem os têxteis intricados na pele por ascendência familiar. Natural de Galegos Santa Maria, Barcelos, viveu sempre rodeado de linhas, malhas e roupas.

Passava as férias, na fábrica dos pais, em diferentes turnos a fazer tarefas em áreas “horrorosas” como na tricotagem onde afiava e carregava as máquinas sempre que necessário.

Mas foi esta experiência que o fez pensar em ‘quebrar’ o destino: “decidi ir para a Universidade uma prática que não era comum na família”.

Entrou em Física na Universidade do Porto onde conheceu António Rocha, seu colega de curso e Paulo Ribeiro, natural de Apúlia, Esposende que estava em Ciências da Computação e Engenharia de Redes.

Os três desafiaram-se a criar algo inovador: acabar com o trabalho “horroroso” de estar horas à procura de defeitos em malhas. Desenvolveram um sistema à base de câmaras que deteta, logo no início do processo produtivo, sobretudo na tricotagem, os problemas com as malhas.

Aquilo que começou por ser um “hobbie” de fim-de-semana tornou-se numa patente única no Mundo: “começamos a fazer uns testes de verificação na fábrica Rifertex em Barcelos e em malhas com defeitos causados por fios de lycra, que são quase imperceptíveis a olho nú e a máquina identificou os erros que iam surgindo”.

Foi o início da Smartex, uma startup que promete poupar milhões de euros à indústria têxtil.
Conseguem entrar na UPTEC, incubadora de startup’s da Universidade do Porto e ter o apoio da Vodafone Power Lab. Vão ainda ao Parlamento Europeu apresentar a ideia e conseguir mais financiamento.

Até que aparece em cena um investidor bilionário americano que investe parte do seu dinheiro em startup’s. Recebem 250 mil euros para criarem a parte hardware através do fundo SOSV, no programa HAX. É o que estão, nesta altura, a desenvolver.

Em Shenzhen, na China, onde Gilberto conversou com O MINHO, através de Skype. Estarão lá quatro meses e depois ainda rumarão a São Francisco, nos Estados Unidos, onde se irão encontrar com o “seu mentor”.

20 mercados do Bolhão

“A experiência está a ser incrível”, começa por dizer Gilberto, “é um universo paralelo. É chocante pela positiva”. Debaixo dos escritórios onde se encontram, “há um mercado tipo o do Bolhão com bancas onde podemos encontrar todos os componentes electrónicos que se possam imaginar. Tem dez pisos e na rua onde estamos há mais 20 edifícios iguais a este”.

Em Portugal “teríamos que mandar as vir as peças que demorariam três/quatro meses; aqui é descer no elevador ou sair à rua e temos tudo o que precisamos”.

Por isso, a expectativa é que até ao final do ano, haja um produto pronto para entrar no mercado.

“Um dos motivos porque vamos a São Francisco é para procurar mais financiamento porque por muito interessante que seja o mercado português temos que procurar outros mercados para vender o nosso produto”.

Irão ainda para desenvolver o modelo de negócio, o marketing e criar redes de investimento.

Produto

Podemos reduzir os defeitos na produção para 0%. Este sistema evita a perda de tempo de produção, de milhões de euros em material, de desperdício de pessoal – que não consegue ser totalmente eficiente – e poupando o ambiente”, destaca Gilberto.

A tecnologia da Smartex está a ser utilizada na fase de tecelagem nas empresas barcelenses Rifertex e da João António Lima Malhas mas também pode servir para outras fases, como a tinturaria e a estamparia.

Este produto poderá, no futuro, ser utilizado com outros materiais que possam ter defeitos à nascença como o papel, a cortiça ou os pneus.

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