Cruzeiro Santo Amaro

A devoção a Santo Amaro deve remontar ao tempo em que o frades beneditinos ocupavam o mosteiro de S. Martinho de Manhente e escolheram esta colina para aqui construírem a capela com a finalidade de peregrinarem em meditação e aprofundamento da fé. Esta é a opinião do nosso conterrâneo, Dr. Francisco Almeida, que defende esta teoria com um estudo sobre a devoção a Santo Amaro em Galegos Santa Maria, infelizmente não publicado.
Sabemos que aos beneditinos foi concedido o couto de Manhente em 1128, mas que por volta de 1400 esses já lá não moravam, tendo sido extinto o mosteiro por ordem do Arcebispo de Braga, D. Martinho Pires da Charneca, reduzindo-o a igreja secular, «havia quase vinte anos que a comunidade monástica desaparecera, sobrevivendo apenas o abade Martinho Soeiro», segundo o professor da Faculdade de Letras do Porto, José Marques.

Capela Santo Amaro

Traseiras da Capela

A capela actual, remodelação profunda da anterior, “antiga, pequenina, simples, com um largo alpendre em frente à sua porta principal suspenso em duas colunas, cercada por um pequeno adro (onde tantas vezes joguei à bola), está situada em sítio alto e desafogado, donde se desfruta um amplo panorama (isto era antes de à volta construírem habitações). Na padieira da porta travessa tem gravada a data de 1662.

Dentro, a capela-mor é forrada a madeira, tendo do lado esquerdo um pequeno coro no mesmo plano do pavimento da capela e a seguir a este a sacristia.
O corpo da capela é também forrado a madeira.
É um templo muito pobrezinho; o seu altar, único, não tem tribuna. Tinha um antiquíssimo, mas há poucos anos foi queimado, havendo então a promessa de colocar outro no sítio, o que ainda se não cumpriu.

No terreiro em frente à capela ergue-se um bem proporcionado cruzeiro com coluna e capitel coríntio, mas sem data nem inscrição.
A imagem do padroeiro é de muita devoção para o povo daqui e arredores. A sua festa é no domingo seguinte ao dia 15 de Janeiro. Os devotos conduzem na romagem em volta da capela pernas e braços de pau que os festeiros cedem para esse fim em troca de esmolas”, segundo Teotónio da Fonseca in “Barcelos áquem e além Cávado”, é feita toda ela em betão, de formas lineares, com uma torre sineira, coro e altar em forma de concha que, para além do padroeiro Santo Amaro, alberga ainda a Senhora do Bom Sucesso e São Bento.

Já agora, dado que tenho o objectivo de encontrar fotos antigas da capela anterior, apelo a todos aqueles que porventura possuam ou saibam quem as tem, para que as façam chegar às minhas mãos, não só para as publicar mas, sobretudo, guardar para memória futura.

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